Oportunidades
- 10 de dez. de 2016
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Passei pela catraca e sai do metrô. Quando virei à direita, no início da ponte que liga a estação ao terminal de ônibus, vi aquele senhor acenando. Virei o rosto e percebi que aquele local dá vista à escada rolante sentido Corinthians-Itaquera. Do outro lado, uma mulher também acenava. “Tchau”, gritava o homem ao balançar o braço e mandar um beijo. Ela retribuiu da mesma forma. “Quando chegar lá me avisa”, ele pediu. Ela confirmou com a cabeça e levantou um joia com a mão. Sorriu e desceu. Ele ficou olhando pra ela até retomar novamente o seu caminho.
Esse momento foi mais um daqueles em que me peguei pensando no tempo que desperdiçamos com a falta de interesse. Aproveitar as oportunidades é como ter a faca e o queijo nas mãos: só depende de nós o fim que daremos. Não sei o contexto da despedida, mas a espera do senhor pela moça – que também não hesitou em retribuir a ação – demonstrou que de alguma forma eles se importavam um com o outro. A falta de discrição entre eles fez com que eu, uma mera espectadora, repensasse no que tenho feito com as oportunidades oferecidas pelo tempo: será que apenas me despeço, viro as costas e deixo a pessoa ir?
Em janeiro, ainda sob o espírito de “agora vai!”, me fiz uma promessa: não vou desistir no meio do caminho, mas vira e mexe me vejo reafirmando de forma positiva que ainda falta muito para o ano terminar e muita coisa pode acontecer. Não posso parar por achar que o tempo já acabou. Não posso afirmar que não há mais nada que possa ser feito. Não é a segunda-feira que determina o início de algo novo e nem o réveillon que mudará a minha história. Sou eu.
A frase diária é repetida toda noite: o que não deu certo hoje conseguirei amanhã. O desafio está além de coisas materiais. A maioria deles está dentro do coração e da mente. Matar um leão por dia significa, muitas vezes, calar as vozes que nos fazem olhar para o que não conseguimos ao invés de prestar atenção naquilo que somos bons. É falar constantemente “se estou nessa situação é porque posso passar por ela”, e acreditar. É desviar a atenção da dificuldade e focar os esforços em realizar o que pode ser feito da melhor forma possível. É não se acomodar. É acordar cedo e vestir uma boa roupa. É entender que “milagres acontecem quando a gente vai à luta”, como diz o poeta Sérgio Vaz.
Se reinventar todos os dias se faz necessário em meio à crise e é quando somos mais desafiados em abrir os olhos e olhar para as opções que a vida oferece. Tantas segundas chances generosas aparecem pela falta de percepção na primeira oportunidade. Tantas pessoas reaparecem para que possamos soltar o grito não dado, demonstrando o desejo de que ela chegue bem ao seu destino; os beijos que não foram soltos, mas que ficaram guardados em lembranças não factuais. Abraços contidos, choros presos, elogios não dados por não achar conveniente nenhum deles. Tempo mal aproveitado.
Faça de sua história um bom conto para seus netos.
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